terça-feira, 24 de abril de 2012

#Gleefeelings


AVISO: O post a seguir é relativamente longo e é o desabafo de uma fangirl. Se você não sabe o que é isso ou não respeita os sentimentos de quem assiste a séries de TV pra se apaixonar loucamente, não continue lendo.




Eu lembro quando soube de Glee pela primeira vez. Era maio de 2009 e a Adara mandou mensagens alucinadas, em todos os meios de comunicação por nós usados na época, para falar sobre essa série fantástica que ela tinha baixado. Era Glee. Sabendo que não era uma série "comum", a FOX decidiu passar o primeiro episódio em maio, com o final das temporadas, para ver qual seria o alcance. Foi um sucesso, maior do que o esperado.

Ao contrário do que normalmente acontece, não foi o primeiro episódio que fez com que eu me apaixonasse pela série - apesar de eu ter ficado sinceramente arrepiada e loucamente obcecada pela cena final, com Don't Stop Believing sendo interpretada lindamente. Eu me vi encantada por Glee, na verdade, no segundo episódio, durante a apresentação de Push It. Lembro de me dar conta de que estava sorrindo como uma retardada e me sentindo... Leve. Feliz. Out of this world. Foi quando decidi que Glee entraria na lista de séries a serem acompanhadas religiosamente. E foi.

Acho importante citar que nunca achei que Glee fosse uma série perfeita. Pra quem assistiu a coisas como Dawson's Creek, Friends e Gilmore Girls, é quase uma ofensa chamar Glee de perfeita. Desde a primeira temporada eu me incomodava com algumas coisas, todas relacionadas com a evolução dos personagens. Não sei se é por estar mal acostumada com as séries preferidas anteriores, ou porque estudei teoria da literatura e sempre amei analisar personagens, mas os personagens de Glee, na sua maioria, me incomodavam por não irem a lugar nenhum...

Xeu ver se consigo ser mais clara: os personagens de Glee tem MUITO potencial. Eles foram criados dentro de uma complexidade que não se vê em muitos filmes/séries/livros. O problema, pra mim, sempre foi a forma como esse potencial foi explorado. Ou, na maior parte das vezes, a forma como esse potencial não foi explorado. Personagens tomavam decisões numa semana e mudavam de ideia radicalmente na semana seguinte, sem grandes explicações. Há quem diga: ah, mas eles são adolescentes, adolescentes são assim, voláteis. E eu concordo, lido com adolescentes há anos, já. Só que não é tão volátil assim.

Mas, tudo bem, durante a primeira temporada, isso não era um grande problema. Por mais que certas atitudes de certos personagens pudessem ser questionadas, a série ainda estava ganhando forma, os personagens estavam ganhando forma, então fazia sentido eles tomarem atitudes que a gente não necessariamente compreendia. No fim das contas, quando paro para analisar, vejo quanto a primeira temporada de Glee foi muito boa. Em parte porque era uma novidade linda - uma série musical! - em parte porque tinha um elenco fantástico, que se amava mais do que qualquer outra coisa. E, por último, porque tinha uma história que parecia interessante, que tinha um bruta de um potencial.

(se eu precisar fazer um top 05 com meus episódios preferidos, eu acredito que quase todos - senão todos - saiam da primeira temporada. O que não é normal)

Eu me lembro, direitinho, de como fiquei com o final da primeira temporada. Dos soluços infinitos com os números musicais, dos sorrisos com as storylines... Eu tinha TODAS as músicas de Glee salvas no computador, em uma pasta super organizada, com o número do episódio e o personagem que cantava. Passei o hiatus seguindo todos os vídeos dos shows que eles fizeram, me apaixonando cada vez mais pelo elenco, que se mostrava a melhor coisa da série... Talento é apelido para o que eles têm...

E então veio a segunda temporada, estreando depois de uma primeira temporada de grande sucesso. E, não vou negar, a segunda temporada teve momentos lindos, a segunda temporada também me empolgou pra caramba... Mas, ao mesmo tempo, tinha algo que me incomodava. Os personagens, pelos quais eu já estava total e completamente apaixonada, começavam a tomar atitudes que nem sempre faziam sentido. As idas e voltas começaram a me deixar desconfortável e, ainda pior, os personagens começaram a mudar de acordo com o que as histórias queriam contar...

Então se naquela semana era importante mostrar Rachel e Finn apaixonados por algum motivo, eles se amavam sem fim e faziam juras de futuro. Porém, na semana seguinte, era preciso criar um drama... O que fazer, então? Ah, já sei, o Finn vai descobrir que ainda é apaixonado pela sua namorada anterior. a Quinn. E vai se afastar da Rachel e vai terminar com ela e arrasar a menina. Que vai cantar uma música linda, se libertando desse romance que faz mal, e jurando nunca mais sentir aquilo. Até a semana seguinte, quando ela vai ficar pelos cantos, olhando pra ele com lágrimas nos olhos e tentando separá-lo da namorada...

Ou então, sei lá, depois de toda a evolução que foi ter que assumir que havia dormido com a namorada do melhor amigo - que acabara engravidando - o Puck voltar às suas atitudes idiotas de querer dormir com todas as meninas e se afastar da Quinn, mesmo tendo terminado a temporada se declarando. Ai, claro o criador GÊNIO da série, respondendo às críticas dos fãs, diz que o Puck é o tipo de cara que nunca muda, que seria um cafajeste a vida toda... A vida toda sendo, claro, uma meia dúzia de episódios, porque, de repente, ele se apaixona por uma gordinha de atitude e se transforma loucamente, virando praticamente o cachorrinho dela...

E esses são só alguns dos exemplos - não vou ficar descrevendo tudo aqui, ou vou acabar ficando muito mais revoltada do que satisfeita. A verdade é que o que me irrita horrores em Glee é a capacidade que os escritores têm de moldarem os personagens para que eles se encaixem nas storylines que eles desejam contar quando, na verdade, teria que ser o contrário. Você cria as histórias para os personagens que você tem, é essa a lógica e é assim que tem que ser. É assim que se cria...

Lembro de uma entrevista do criador e roteirista principal da série, no final da segunda temporada, quando ele se mostrava surpreso em saber que os fãs se importavam com as vidas dos personagens, com as histórias que eles tinham pra contar. De repente ele estava realmente chocado em saber que as pessoas se envolviam com os personagens, que as pessoas torciam por aquelas pessoas... Lembro do ódio que senti por ele nesse momento... Ódio mesmo, porque não era justo. Aqueles personagens tinham saído da cabeça dele, como DIABOS, ele não reconhecia o quanto eles eram complexos? Como diabos ele não sabia mais o que fazer com esses personagens? Que inferno!

Ai vem a pergunta... Se você estava tão incomodada e estressada, Luciana, por que você continuou assistindo? Você já assiste um milhão e meio de séries - e começou a temporada se apaixonado por séries novas - então porque continuar vendo Glee?

O problema é que agora, três anos depois, meu amor maior é pelo elenco, que é mais presente no fandom do que qualquer outro elenco que eu acompanho. Eles twittam fotos, eles se declaram abertamente um para o outro, eles mostram vídeos, bastidores... Eles são tão adoráveis e tão talentosos que fica complicado abrir mão, sabe? Até porque em determinadas cenas - aqueles números musicais que envolvem meio mundo - é tudo tão lindo, com o elenco se amando loucamente e esquecendo os personagens... Acho perfeito e quero pra sempre... Por esse motivo que eu, sem nem pensar duas vezes, mantive Glee na minha listinha de séries para serem vistas todas as semanas...

Veio a terceira temporada e ela teve um primeiro episódio fantástico. Sério mesmo. Quando terminou o primeiro episódio lá estava eu, sentada na frente do computador com um sorriso idiota, da mesma forma que tinha sido, anos atrás. E eu me deixei levar, de novo, por esse sentimento. Eu realmente achei que eles tinham tomado vergonha na cara... Eu obviamente estava enganada...

Não vou mentir, tem coisas em Glee que eu gosto, e muito. Sou completamente apaixonada por uma das personagens principais e também amo muito alguns outros personagens. E eles são talentosos pra caramba e fazem gato e sapato de algumas músicas, chegando a me levar às lágrimas mais frequentemente do que eu gostaria... Só que, infelizmente, isso não é suficiente pra mim...

Por mais que eu tenha, todas as semanas, pelo menos uma cena/música que me deixe sorrindo e/ou chorando, por ser tão maravilhosa, quando os episódios terminam, eu estou sempre com um gosto amargo na boca. Eu me sinto enganada, quase que usada! Porque eu vejo dramas sendo criados do nada, de uma semana para a outra, simplesmente para serem encaixados nas músicas que eles querem vender. E quando o episódio termina ou, no máximo, na semana seguinte, os dramas são resolvidos com o estalar dos dedos... e, claro, mais uma música qualquer...

Não é isso que eu quero. Quando eu vejo séries de televisão, eu me envolvo e me apego aos personagens delas, por mais patético que isso seja. Eu me importo com eles, eu sofro junto e comemoro as vitórias deles. Eu admiro todas as mudanças que eles vivem, eu torço para que tudo dê certo e etc. E, com Glee, isso não está mais funcionando assim.

Se eu for analisar friamente, diria que a minha vontade de continuar assistindo a Glee quando a 4a temporada começar está diminuindo a cada semana... Mas, ao mesmo tempo, eu não estou pronta para abandonar esse elenco lindo... Além disso, quando assisto Glee, faço comentários sem noção por mensagens de celular com uma amiga e é uma coisa da qual eu sentira muita falta...

E faço o que, então? Sofro. Sofro porque a série deixou de me divertir para me estressar. Sofro porque meus personagens estão cada semana mais irreconhecíveis. Sofro porque amo esse elenco de paixão e não quero não vê-los todas as semanas...

Quanto a Glee, eu ainda estou na dúvida do que vai ser... Vou terminar a temporada, firme e forte e, dependendo do que vier por aí, eu tomo a minha decisão...

Serei sempre grata, porém. Porque Glee me apresentou um monte de músicas que eu nunca escutaria de outra forma. Porque Glee me apresentou a um bando de jovens lindos e talentosos que eu provavelmente vou seguir pra vários cantos...


Olha, uma coisa é fato: não é fácil ser fangirl. São muitos sentimentos contraditórios e muitos dramas. Não é pra qualquer um não...

2 comentários:

Polly disse...

Me encantei com Glee na 1a temporada. Era fresh e feliz e fazia bem, like a good cup of strawberry milkshake.
Sempre reclamei de tudo isso aew que vc falou, mas eu parecia bitter pq meu ship ia nowhere LOL.
Agora, na 3a temporada, posso dizer que Glee nao me faz falta! Ainda amo vários personagens, continuo detestando outros...o elenco ainda me faz sorrir e qnd uma ou outra musica me interessa, vou lá e baixo (mais por curiosidade do q outra coisa).
Sim, vc sempre foi mais apegada a Glee do que eu...eu jah sentia isso q vc escrevia desde a 2a. Mas honestamente, nao acho que valha a pena continuar assistindo pelo elenco (se fosse assim iriamos continuar assistindo tanta porcaria com atores q gostamos).
Ame o elenco, ame Lea e Cia...mas Glee virou quase insulto a quem preza por continuidade e complex characters. Dói, mas é verdade.

Tathy disse...

Eu concordo plenamente sobre os personagens e sobre a falta de noção do tio Ryan.
Mas, eu ainda não tô pronta pra abandonar a série. Ainda tem muitas coisas que me fazem gostar dela, não sei se eu não sou tão exigente ou se é porque é a única que eu realmente acompanho e isso me traz boas lembranças de uma época onde eu me dedicava super a ver séries. Fato é que eu não conseguiria deixar de ver.
Vamos ver até onde eu aguento! LOL